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Helsinque, a próxima Kaliningrado na Nova Rota da Seda?

Fonte: Rail Freight

Helsinque está bem posicionada para se tornar a próxima porta de entrada da Eurásia para a Europa. Se você perguntar aos operadores finlandeses sobre a Nova Rota da Seda, ele já está cumprindo o papel de um hub. Com sua proximidade com a fronteira russa e fácil acesso aos portos europeus, há certamente muito potencial para a capital finlandesa no corredor eurasiano. Tem o que é preciso para se tornar a próxima grande alternativa para a movimentada travessia da fronteira Malaszewicze-Brest?

A demanda por uma alternativa está certamente lá. A rota regular via Polônia está muito congestionada. Esta foi a razão para as companhias ferroviárias russas desenvolverem o potencial de Kaliningrado como um portal alerta há vários anos. O que começou como um teste para várias empresas em 2017, tornou-se uma das alternativas mais utilizadas em 2020. Também aqui, a multimodalidade foi fundamental.

‘Helsinque é um porto’

Para Helsinki, um caminho semelhante é pensavel. O que é muito importante, é que o terminal ferroviário fica dentro do porto, explicou Olga Stephanova durante o RailFreight Live da semana passada. O especialista em ferrovias russo trabalha para a Nurminen Logistics, uma empresa finlandesa que opera vários serviços entre a Europa e a Ásia.

“A ferrovia termina no porto, e a carga é facilmente carregada fora do trem, no navio. Não são necessários procedimentos adicionais. Isso não só economiza tempo e dinheiro, mas também mantém a carga segura. Quanto mais a carga é movida, maior o risco de danos”, explicou Olga Stephanova.

Não apenas sobre trilhos

Assim como Kaliningrado, a linha férrea para Helsinki é uma linha de bitola ampla. Isso significa que não há necessidade de transcarregar carga para o medidor padrão na fronteira. Essa é uma vantagem importante, explica Stephanova. Além disso, também aqui as possibilidades de mais envios aos portos europeus são numerosas. A adição de uma ligação em alto mar a uma viagem ferroviária até que se prove ser uma fórmula bem-vinda, se isso significa que as travessias de fronteira congestionadas são evitadas.

“Não se trata apenas de ferrovia”, disse o CEO da Nurminen Logistics Olli Pohjanvirta na mesma transmissão. “Trata-se de gestão da cadeia de suprimentos. Nós entregamos serviços porta a porta, com horários garantidos. Não só para e da China, mas também do Extremo Oriente, Escandinávia e Europa. Não só para oeste, mas também para leste. Não estamos falando de algumas saídas de trem, já estamos operando como um centro de trânsito”, observou.

China e o Extremo Oriente

A empresa finlandesa é um dos principais players no que também é chamado de Rota da Seda Nórdica. Iniciou serviços regulares da Finlândia para Hefei em 2018. No outono de 2020, em cooperação com o Porto de Narvik, começou a servir a connention para Chongqing com partidas semanais. Este ano, lançou conexões para Suzhou, Jinan e Jiaozhou.

Além da China, também está focada no Extremo Oriente. Através do porto russo de Vladivostok, está fornecendo serviços multimodais para o Japão, Vietnã e Cingapura. Toda a carga é coletada em Valdivostok, onde pode ser carregada em um único trem para a viagem para a Europa. “Desde junho, também estamos oferecendo esse serviço para o leste”, diz Stephanova. “Há uma grande demanda por essa conexão.”

O trem de salmão

O papel da Finlândia não é apenas importante para os países da UE, como a referida cooperação com o porto de Narvik não é uma coincidência. O porto norueguês também tem grandes planos para a conexão ferroviária com a China, e conta com um trânsito suave pela Finlândia. Em 2019, respondendo à proibição suspensa do trânsito russo de produtos frescos, começou a se preparar para o envio de salmão congelado da Noruega para a China.

Grandes quantidades de salmão já estariam no trem, se não fosse o vírus corona para quebrar os planos. A pandemia atrasou o lançamento do serviço, e quando estava finalmente prestes a ser lançado em outubro de 2020, foram colocadas restrições no transporte de contêineres reefer para a China. “Essas restrições ainda estão em vigor até agora”, disse Pohjanvirta. “Estamos prontos, mas estamos esperando que essas restrições na China sejam levantadas.”

Rail Freight, 9 de agosto de 2021

Dias Birmaneses Revisitados | Pepe Escobar

Por Dossier Sul -9 de fevereiro de 20210

Por Pepe Escobar

O elefante (de jade) no meio do elaboradíssimo salão que abriga o golpe militar em Mianmar tinha que ser – quem mais? – a China. E o Tatmadaw – as Forças Armadas do país – sabem disso melhor que qualquer um.

Não há um revólver fumegante, é claro, mas é virtualmente impossível que Pequim não tenha sido ao menos informada, ou “consultada” pelo Tatmadaw quanto a esse novo regime.

A China, o maior parceiro comercial de Mianmar, é guiada por três imperativos estratégicos em sua relação com seu vizinho do Sul: comércio/conectividade por meio de um dos corredores da Iniciativa Cinturão e Rota (ICR); pleno acesso à energia e a minerais; e a necessidade de cultivar um aliado de grande importância entre os dez membros da ASEAN.

O corredor da ICR que liga Kunming, na província chinesa de Yunnan, ao porto de Kyaukphyu, no Golfo de Bengala, passando por Mandalay é a jóia da coroa da Nova Rota da Seda, uma vez que esse corredor combina o acesso estratégico da China ao Oceano Índico, contornando o Estreito de Malaca, com fluxos de energia garantidos por meio de um duto que combina petróleo e gás. Esse corredor mostra claramente a centralidade do Dutistão na evolução das Novas Rotas da Seda.

Nada disso vai mudar, independentemente de quem venha a comandar o show político-militar em Naypydaw, capital de Mianmar. O Ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi e Aung San Suu Kyi, conhecida localmente como Amay Suu (Mãe Suu) discutiam o corredor econômico China-Mianmar apenas três semanas antes do golpe. Pequim e Naypydaw fecharam nada menos que 33 acordos econômicos apenas em 2020.

Queremos apenas “paz eterna”

Algo bastante extraordinário aconteceu no começo dessa semana em Bangcoc. Uma parte representativa da vasta diáspora de Mianmar na Tailândia – que vem crescendo exponencialmente desde a década de 1990 – reuniu-se em frente à Representação Ásia-Pacífico das Nações Unidas.

Essas pessoas pediam que a reação internacional ao golpe ignorasse as inevitáveis sanções dos Estados Unidos. Seu argumento: as sanções paralisam o trabalho dos cidadãos empreendedores e, ao mesmo tempo, mantêm um sistema clientelista favorável ao Tatmadaw e aprofundam a influência de Pequim nos escalões superiores.

No entanto, não se trata apenas da China. O golpe do Tatmadaw é uma questão eminentemente interna – que recorreu ao mesmo método de velha escola ao estilo CIA que os instalou como uma cruel ditadura militar em 1962.https://googleads.g.doubleclick.net/pagead/ads?client=ca-pub-7114433784312137&output=html&h=50&adk=2095877532&adf=1679901051&w=320&lmt=1617742869&psa=1&format=320×50&url=https%3A%2F%2Fdossiersul.com.br%2Fdias-birmaneses-revisitados-pepe-escobar%2F&flash=0&wgl=1&uach=WyJBbmRyb2lkIiwiMTAiLCIiLCJtb3RvIGcoOCkgcG93ZXIgbGl0ZSIsIjg5LjAuNDM4OS4xMDUiLFtdXQ..&dt=1617742868870&bpp=7&bdt=3386&idt=478&shv=r20210401&cbv=r20190131&ptt=9&saldr=aa&abxe=1&cookie=ID%3D56afd4b92159cf4f-2250da37cab300a3%3AT%3D1612109287%3ART%3D1612109287%3AS%3DALNI_MYCbVyBCJwQm0Pz8alHzDL1rDCggg&prev_fmts=320×50%2C0x0&nras=1&correlator=3508424797808&frm=20&pv=1&ga_vid=435571054.1612109287&ga_sid=1617742869&ga_hid=1581939978&ga_fc=0&u_tz=-180&u_his=1&u_java=0&u_h=985&u_w=444&u_ah=985&u_aw=444&u_cd=24&u_nplug=0&u_nmime=0&adx=62&ady=2446&biw=444&bih=848&scr_x=0&scr_y=0&eid=44736525%2C31060004%2C44740079%2C44739387%2C21066973&oid=3&pvsid=1276929874153322&pem=896&ref=https%3A%2F%2Fwww.google.com%2F&rx=0&eae=0&fc=896&brdim=0%2C0%2C0%2C0%2C444%2C0%2C444%2C848%2C444%2C848&vis=1&rsz=%7C%7CoeEbr%7C&abl=CS&pfx=0&fu=8192&bc=31&ifi=3&uci=a!3&btvi=1&fsb=1&xpc=1pQARaDsoF&p=https%3A//dossiersul.com.br&dtd=509

As eleições de novembro último confirmaram no poder Aung San Suu Kyi e seu partido, o NLD, com 83% dos votos. O partido pró-exército, o USDF, protestou, alegando fraude maciça e insistindo em uma recontagem, que foi negada pelo Parlamento.

O Tatmadaw, então, invocou o artigo 147 da constituição, que autoriza a tomada do poder pelos militares em caso de ameaça confirmada à soberania e à solidariedade nacional, ou com o potencial de “desintegrar a União”. 

A constituição de 2008 foi redigida – por quem mais seria? – pelo Tatmadaw. Os militares controlam os importantíssimos ministérios do Interior, da Defesa e das Fronteiras, bem como 25% das cadeiras no Parlamento, o que lhes dá poder de veto em qualquer mudança na constituição.

A tomada de poder pelos militares envolve o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Um estado de emergência de um ano de duração está em vigor. Novas eleições terão lugar quando a ordem e a “paz eterna” forem restauradas.

O homem no comando é o chefe do Exército Min Aung Hlaing, hoje bastante abastado depois de anos supervisionando contratos suculentos conduzidos pelo Myanmar Economic Holdings Ltda. (MEHL). Ele também supervisionou a violenta reação à revolução Açafrão de 2007 – que expressava queixas legítimas, mas que também, em grande medida, foi cooptada como uma clássica revolução colorida instigada pelos Estados Unidos.

O que é mais preocupante é que Min Aung Hlaing empregou também técnicas de terra arrasada contra os grupos étnicos Karen e Rohinga. É notória sua descrição da operação Rohinga como “o trabalho inacabado do problema bengali”. Os muçulmanos em Mianmar são sempre chamados pejorativamente de “bengalis”  por membros da maioria étnica Bamar.

Não haverá olhares enviesados na ASEAN 

A vida para a maioria esmagadora da diáspora mianmariana na Tailândia pode ser muito dura. Cerca de metade dela trabalha na construção civil, na indústria têxtil e no turismo. A outra metade não possui visto de trabalho válido, e vive em medo perpétuo.

Para complicar ainda mais as coisas, em fins do ano passado o governo militar de facto da Tailândia partiu para  uma violenta ofensiva de culpabilização, acusando-os de cruzarem fronteiras sem passar por quarentena, causando assim uma segunda onda da covid-19.

Os sindicatos tailandeses, com toda a razão, apontaram os verdadeiros culpados: as redes de contrabando protegidas pelos militares tailandeses, que conseguem contornar o processo extremamente complicado de legalização de trabalhadores migrantes e, ao mesmo tempo, protegem os empregadores que infringem as leis trabalhistas.

Em paralelo, parte da diáspora legalizada mianmariana vem sendo atraída a se juntar à AliançaLeiteChá, que congrega tailandeses, taiwaneses e hongcongueses e, mais recentemente, também laosianos e filipinos – contra quem? – a China é claro e, em menor grau, contra o governo militar da Tailândia.

A ASEAN não vai olhar enviesado para o Tatmadaw. A política oficial da ASEAN continua sendo a de não-interferência nas questões internas de seus dez membros. Bangcoc – onde, incidentalmente, a junta militar tomou o poder em 2014, vem exibindo um distanciamento olímpico.

Em 2021, Mianmar vem coordenando nada menos que o mecanismo de diálogo China-ASEAN, e também presidindo a Cooperação Lancang-Mekong, que discute todas as questões importantes para o Mekong.

O poderoso rio, que corre do platô tibetano ao Mar do Sul da China não poderia ser mais estratégico em termos geoeconômicos. A China é severamente criticada por construir dezenas de represas que reduzem o fluxo direto de água e causam graves desequilíbrios nas economias da região. 

Mianmar vem também coordenando uma questão geopolítica extremamente sensível: as intermináveis negociações para a formulação do Código de Conduta no Mar do Sul da China, que jogam a China contra o Vietnã, a Malásia, as Filipinas, a Indonésia, Brunei e Taiwan, esta última não participante da ASEAN.

O Tatmadaw parece não estar perdendo o sono com os problemas comerciais do pós-golpe. Erik Prince, ex-chefão  da Blackwater e agora dirigente do Frontier Services Group (FSG), com sede em Hong Kong – financiado pelo poderoso conglomerado chinês Citic, entre outros – está em vias de “securitizar” empresas locais.

Um dossiê mais suculento diz respeito ao que vai acontecer com o tráfico de drogas: é possível afirmar que o Tatmadaw conseguirá uma fatia mais generosa da torta. Cartéis do estado de Kachin, ao norte, exportam ópio para a província chinesa de Yunnan e para a Índia, ao oeste. Os cartéis do estado de Shan são ainda mais sofisticados: eles exportam via Yunnan para o Laos e o Vietnã, a leste, e também para a Índia, a noroeste.

E há também uma área cinzenta onde ninguém realmente sabe o que está se passando: a estrada dos armamentos entre a China e a Índia, que passa pelo estado de Kachin – onde também vivem os grupos étnicos Lisu e Lahu.

A estonteante tapeçaria étnica

A comissão eleitoral de Mianmar é muito complicada, para dizer o mínimo. Os membros são designados pelo Executivo, e tiveram que enfrentar muitas críticas – internas, não internacionais – em razão de sua censura aos partidos da oposição nas eleições de novembro.

Os resultados finais deram vantagem ao NLD, que tem um apoio negligível em todas as regiões de fronteira. O grupo étnico majoritário em Mianmar – e a base eleitoral do NLD – é o Bamar, budista e concentrado na região central do país.

O NLD, na verdade, não dá a menor importância às 135 minorias étnicas – que representam pelo menos um-terço da população em geral. Quando Suu Kyi subiu ao poder, o NLD de fato tinha muito apoio, mas desde então, tem sido ladeira abaixo. O perfil internacional de Suu Kyi deve-se essencialmente ao poder da máquina Clinton.

Conversando com um Mon ou um Karen, você vai ouvir que ele ou ela tiveram que sofrer muito para aprender que a verdadeira Suu Kyi é uma autocrata intolerante. Ela prometeu que haveria paz nas regiões de fronteira – eternamente atolada na luta entre o Tatmadaw e os movimentos autônomos. Ela não conseguiu cumprir o que prometeu por não ter qualquer poder real sobre os militares.

Sem qualquer tipo de consulta, a comissão eleitoral decidiu cancelar total ou parcialmente as eleições em 56 cantões dos estados de Arakan, Shan, Karen, Mon e Kachin, todos eles habitados por minorias étnicas. Quase 1,5 milhão de pessoas foram privadas de voto.

Não houve eleições, por exemplo, no estado majoritário de Arakan, onde a comissão eleitoral invocou “razões de segurança”. A realidade é que o Tatmadaw vem lutando ferozmente contra o Exército de Arakan, que reivindica autodeterminação.

É desnecessário acrescentar que os rohingas – que vivem em Arakan – não tiveram permissão para votar. Quase 600 mil deles mal conseguem sobreviver em campos e em vilas fechadas naquele estado.

Na década de 1990, visitei o estado Shan, que faz fronteira a leste com a estratégica província chinesa de Yunnan. Muito pouco mudou ao longo dessas duas décadas: a guerrilha tem que lutar contra o Tatmadaw porque vê claramente que o exército e seus compadres empresários são obcecados por se apoderar dos riquíssimos recursos naturais da região.

Viajei extensivamente em Mianmar na segunda metade da década de 1990 – antes de entrar na lista negra da junta militar, da mesma forma que praticamente todos os jornalistas e analistas que trabalhavam no Sudeste Asiático. Há dez anos, Jason Florio, um fotojornalista com quem viajei por toda a parte, do Afeganistão ao Camboja, conseguiu se infiltrar em território rebelde Karen, onde fez algumas fotos notáveis.

No estado de Kachin, partidos que eram rivais nas eleições de 2015 tentaram, desta vez, unir esforços. Mas, ao final, eles saíram totalmente esmagados: o mecanismo eleitoral – apenas um único turno – favoreceu o partido vencedor – o NLD de Suu Kyi.

Pequim não interfere no estonteantemente complexo labirinto étnico de Mianmar. Mas continua havendo dúvidas quanto ao obscuro apoio aos chineses que vivem no estado de Kachin, no norte de Mianmar: é possível que eles sejam usados para alavancar as negociações com o Tatmadaw.

O fato básico é que a guerrilha vai continuar existindo. Os dois maiores grupos são o Exército de Libertação de Kachin e o Exército Unido do Estado Wa (Shan). Mas há também o Exército de Libertação de Arakan, o Exército Nacional da China, o Exército Karenni (Kayah), a Organização Karen Nacional de Defesa, o Exército de Libertação Karen e o Exército de Libertação Nacional Mon.

O que essa tapeçaria armada significa, no longo prazo, é um Mianmar tremendamente (Des)Unido, reforçando a alegação do Tatmadaw de que nenhum outro mecanismo seria capaz de garantir a unidade. Não faz tanto mal assim se essa “unidade” vier com os bônus extra do controle de setores cruciais como a mineração, as finanças e as telecomunicações.

Será fascinante assistir como os Estados Imperiais Des(Unidos) irão lidar com o Mianmar pós-golpe como parte de seu frenesi 24/7 de “contenção da China”. O Tatmadaw não está exatamente tremendo nas botas.

***

Pepe Escobar é jornalista e correspondente de várias publicações internacionais

Originalmente em  Strategic Culture Foundation. Tradução: Brasil 247

Como a Eurásia será interconectada – The Saker – Por Pepe Escobar

Foto por muhammad nuri em Pexels.com

Trad. Roberto França

04 de abril de 2021

A extraordinária confluência entre a assinatura do acordo de parceria estratégica Irã-China e a saga do Ever Green no Canal de Suez está destinada a gerar um impulso renovado para a Belt and Road Initiative (BRI) e todos os corredores interconectados de integração da Eurásia.

Este é o desenvolvimento geoeconômico mais importante no sudoeste da Ásia em anos, ainda mais crucial do que o apoio geopolítico e militar da Rússia a Damasco desde 2015.

Vários corredores ferroviários terrestres em toda a Eurásia, apresentando trens de carga abarrotados de carga, o mais icônico dos quais é indiscutivelmente Chongqin-Duisburg, são um elemento-chave do BRI. Em alguns anos, tudo isso será realizado em trens de alta velocidade.

O principal corredor terrestre é Xinjiang-Cazaquistão – e depois para a Rússia e além; o outro atravessa a Ásia Central e o Irã, até a Turquia, os Bálcãs e a Europa Oriental. Pode levar tempo – em termos de volume – para competir com as rotas marítimas, mas a redução substancial no tempo de transporte já está impulsionando um grande aumento de carga.

A conexão estratégica Irã-China deve acelerar todos os corredores interconectados que conduzem e cruzam o sudoeste da Ásia.

Crucialmente, vários corredores de conectividade comercial BRI estão diretamente ligados ao estabelecimento de rotas alternativas para o trânsito de petróleo e gás, controlados ou “supervisionados” pelo Hegemon desde 1945: Suez, Malacca, Hormuz, Bab al Mandeb.

Conversas informais com comerciantes do Golfo Pérsico revelaram um grande ceticismo sobre o principal motivo da saga Sempre Dado. Os pilotos da marinha mercante concordam que os ventos em uma tempestade no deserto não foram suficientes para assediar um navio de mega contêiner de última geração equipado com sistemas de navegação muito complexos. O cenário de erro do piloto, induzido ou não, está sendo seriamente considerado.

Depois, há a conversa predominante: o encalhamento do Ever Green era de propriedade de japoneses, alugado de Taiwan, segurado no Reino Unido , com uma equipe totalmente indiana, transportando mercadorias chinesas para a Europa. Não admira que os cínicos, abordando todo o episódio, perguntem, Cui Bono?

Comerciantes do Golfo Pérsico, em segredo, também dão dicas sobre o projeto de Haifa se tornar o principal porto da região, em estreita cooperação com os Emirados por meio de uma ferrovia a ser construída entre Jabal Ali em Dubai e Haifa, contornando Suez.

Voltando aos fatos reais, o desenvolvimento de curto prazo mais interessante é como o petróleo e o gás do Irã podem ser enviados para Xinjiang via Mar Cáspio e Cazaquistão – usando um oleoduto Trans-Cáspio a ser construído.

Isso cai bem no território BRI clássico. Na verdade, mais do que isso, porque o Cazaquistão é um parceiro não apenas do BRI, mas também da União Econômica da Eurásia (EAEU), liderada pela Rússia.

Do ponto de vista de Pequim, o Irã também é absolutamente essencial para o desenvolvimento de um corredor terrestre do Golfo Pérsico ao Mar Negro e, posteriormente, à Europa pelo Danúbio.

Obviamente não é por acaso que o Hegemon está em alerta máximo em todos os pontos deste corredor comercial. Sanções de “pressão máxima” e guerra híbrida contra o Irã; uma tentativa de manipular a guerra Armênia-Azerbaijão; o ambiente pós-revolução colorida na Geórgia e na Ucrânia – que fazem fronteira com o Mar Negro; Sombra abrangente da OTAN sobre os Bálcãs; tudo faz parte do enredo.

Agora me dê um pouco de Lápis-Lazúli

Outro capítulo fascinante do Irã-China diz respeito ao Afeganistão. Segundo fontes de Teerã, parte do acordo estratégico trata da área de influência do Irã no Afeganistão e da evolução de mais um corredor de conectividade até Xinjiang.

E aqui voltamos ao sempre intrigante

Corredor Lapis Lazuli – que foi conceituado em 2012, inicialmente para aumentar a conectividade entre o Afeganistão, Turcomenistão, Azerbaijão, Geórgia e Turquia.

O Lápis-Lazúli, maravilhosamente evocativo, remete à exportação de uma variedade de pedras semipreciosas, através das Antigas Rota da Seda, para o Cáucaso, a Rússia, os Bálcãs e o Norte da África.

Agora, o governo afegão vê o ambicioso remix do século 21 como partindo de Herat (uma área-chave de influência persa), continuando para o porto de Turkmenbashi no Mar Cáspio, no Turcomenistão, por meio de um oleoduto Transcaspiano para Baku, daí para Tblisi e Georgian portos de Poti e Batumi no Mar Negro e, finalmente, conectado a Kars e Istambul.

Este é um negócio realmente sério; uma unidade que pode potencialmente ligar o Mediterrâneo Oriental até o Oceano Índico.

Desde que a Rússia, Irã, Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão assinaram a Convenção sobre o Status Legal do Mar Cáspio em 2018, no porto cazaque de Aktau, o que é interessante é que suas principais questões são agora discutidas na Organização de Cooperação de Xangai (SCO), onde a Rússia e o Cazaquistão são membros plenos; O Irã em breve será; O Azerbaijão é um parceiro de diálogo; e o Turcomenistão é um convidado permanente.

Um dos principais problemas de conectividade a ser resolvido é a viabilidade de construção de um canal do Mar Cáspio até a costa do Irã no Golfo Pérsico. Isso custaria pelo menos US $ 7 bilhões. Outra questão é a transição imperativa para o transporte de carga em contêineres no Cáspio. Em termos da SCO, isso aumentará o comércio da Rússia com a Índia via Irã, além de oferecer um corredor extra para o comércio da China com a Europa.

Com o Azerbaijão prevalecendo sobre a Armênia na explosão de Nagorno-Karabakh, enquanto finalmente fechava um acordo com o Turcomenistão sobre seu respectivo status no Mar Cáspio, o ímpeto para a parte oeste de Lapis Lazuli está agora em jogo.

A parte oriental é um assunto muito mais complicado, envolvendo uma questão absolutamente crucial agora na mesa não apenas para Pequim, mas para a SCO: a integração do Afeganistão ao Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC).

No final de 2020, Afeganistão, Paquistão e Uzbequistão concordaram em construir o que o analista Andrew Korybko descreveu deliciosamente como a ferrovia PAKAFUZ PAKAFUZ será um passo fundamental para expandir o CPEC para a Ásia Central, via Afeganistão. A Rússia está mais do que interessada .

Este pode se tornar um caso clássico do cadinho de fusão BRI-EAEU em evolução. Momentos difíceis – decisões sérias incluídas – acontecerão neste verão, quando o Uzbequistão planeja sediar uma conferência chamada “Ásia Central e do Sul: Interconexão Regional. Desafios e oportunidades”.

Portanto, tudo continuará interligado: um link Trans-Caspian; a expansão do CPEC; Af-Pak conectado à Ásia Central; um corredor extra Paquistão-Irã (via Baluchistão, incluindo a finalmente possível conclusão do gasoduto IP) até o Azerbaijão e a Turquia; A China se envolveu profundamente em todos esses projetos.

Pequim construirá estradas e dutos no Irã, incluindo um para enviar gás natural iraniano para a Turquia. Irã-China, em termos de investimento projetado, é quase dez vezes mais ambicioso do que o CPEC. Chame-o de CIEC (Corredor Econômico China-Irã).

Em poucas palavras: a civilização estados-chineses e persas estão na estrada para emular o relacionamento muito próximo eles desfrutaram durante o Silk Road da era Yuan dinastia no 13º século.

INSTC ou busto

Uma peça extra do quebra-cabeça diz respeito a como o Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul (INSTC) vai se misturar com o BRI e o EAEU. Crucialmente, o INSTC também passa a ser uma alternativa ao Suez .

Irã, Rússia e Índia têm discutido os meandros deste corredor de comércio de navio / ferrovia / estrada de 7.200 km de comprimento desde 2002. O INSTC tecnicamente começa em Mumbai e segue todo o caminho através do Oceano Índico para o Irã, o Mar Cáspio e depois para Moscou. Como medida de seu apelo, Azerbaijão, Armênia, Bielorússia, Cazaquistão, Tadjiquistão, Quirguistão, Ucrânia, Omã e Síria são todos membros do INSTC.

Para o deleite dos analistas indianos, o INSTC reduz o tempo de trânsito da Índia Ocidental para a Rússia Ocidental de 40 para 20 dias, enquanto corta os custos em até 60%. Já está operacional, mas não como uma ligação marítima e ferroviária de fluxo livre contínuo.

Nova Delhi já gastou US $ 500 milhões em um projeto crucial: a expansão do porto de Chabahar no Irã, que deveria se tornar seu ponto de entrada para uma rota da seda feita na Índia para o Afeganistão e depois para a Ásia Central. Mas então tudo descarrilou pelo flerte de Nova Delhi com a proposta perdida do Quad.

A Índia também investiu US $ 1,6 bilhão em uma ferrovia entre Zahedan, a principal cidade no sudeste do Irã, e a mineração de ferro / aço Hajigak no centro do Afeganistão. Tudo isso se enquadra em um possível acordo de livre comércio Irã-Índia que está sendo negociado desde 2019 (no momento, em espera). O Irã e a Rússia já firmaram um acordo semelhante. E a Índia quer o mesmo com a EAEU como um todo.

Após a parceria estratégica Irã-China, o presidente do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Mojtaba Zonnour, já deu a entender que o próximo passo deve ser um

Acordo de cooperação estratégica Irã-Rússia , privilegiando “serviços ferroviários, rodoviários, refinarias, petroquímicas, automóveis, petróleo, gás, meio ambiente e empresas de conhecimento”.

O que Moscou já está considerando seriamente é construir um canal entre o Cáspio e o Mar de Azov, ao norte do Mar Negro. Enquanto isso, o já construído porto de Lagan no Cáspio é uma virada de jogo certificada.

Lagan se conecta diretamente com vários nós BRI. Há conectividade ferroviária com a Transiberiana até a China. Do outro lado do Cáspio, a conectividade inclui Turkmenbashi no Turcomenistão e Baku no Azerbaijão, que é o ponto de partida da ferrovia BTK até o Mar Negro e depois da Turquia à Europa.

No trecho iraniano do Cáspio, o porto de Amirabad faz ligações com o INSTC, o porto de Chabahar e mais adiante com a Índia. Não é por acaso que várias empresas iranianas, bem como o Poly Group da China e o China Energy Engineering Group International, queiram investir em Lagan.

O que vemos em jogo aqui é o Irã no centro de um labirinto progressivamente interconectado com a Rússia, China e Ásia Central. Quando o Mar Cáspio for finalmente conectado às águas internacionais, veremos um corredor de comércio / transporte alternativo de fato para Suez.

Pós-Irã-China, não é mais rebuscado até mesmo considerar o possível surgimento em um futuro não muito distante de uma Rota da Seda do Himalaia unindo os membros do BRICS China e Índia (pense, por exemplo, no poder do gelo do Himalaia convergindo em um Túnel Hidrelétrico compartilhado).

Tal como está, a Rússia está muito focada em possibilidades ilimitadas no sudoeste da Ásia, como o ministro do Exterior Sergey Lavrov deixou claro na 10ª Conferência do Oriente Médio no clube Valdai. Os deleites do “Hegemon” em várias frentes – Ucrânia, Bielo-Rússia, Síria, Nord Stream 2 – empalidecem em comparação.

A nova arquitetura da geopolítica do século 21 já está tomando forma, com a China fornecendo vários corredores comerciais para o desenvolvimento econômico ininterrupto, enquanto a Rússia é o fornecedor confiável de bens de energia e segurança, bem como o conceitualizador de uma casa na Grande Eurásia, com “ parceria estratégica ”Diplomacia sino / russa jogando o jogo muito longo.

O sudoeste da Ásia e a Grande Eurásia já viram para que lado sopram os ventos (do deserto). E em breve os mestres do capital internacional. Rússia, China, Irã, Índia, Ásia Central, Vietnã, Indonésia, Península Coreana, todos passarão por um aumento repentino de capital – incluindo abutres financeiros. Seguindo o evangelho da ganância é bom, a Eurásia está prestes a se tornar a fronteira definitiva da ganância.

Originalmente em The Saker